Calígula : o melhor filme que eu nunca vi

Lá pelos idos de 1992 , existia a Rede OM no lugar hoje ocupado pela CNT. A OM não durou muito tempo , mas se destacou por lançar alguns clássicos
trash da TV brasileira , como o inesquecível
Cadeia Nacional , comandado por Luís Carlos Alborghetti. A emissora , sediada no Paraná, também é lembrada por ter contratado Galvão Bueno para dirigir o departamento de esportes e por ter revelado o apresentador Ratinho , que sucedeu o "Alborga" no
Cadeia Neles.
O ápice da modesta Rede OM veio com o pioneirismo (acho) na exibição, em horário nobre, de filmes que continham cenas de sexo explícito:
Alcova e
Calígula. Não me recordo do primeiro , mas tenho muitas memórias sobre o alvoroço causado por Calígula. O tema do filme é a vida do mais demente imperador da história de Roma , cruel e devasso como poucos. Trata-se de uma grande produção, com Peter O'Toole (
Lawrence da Arábia , Helen Mirren (
Assassinato em Gosford Park) e Malcon McDowell no elenco. O último , já escolado em interpretar loucos - foi Alex em
A Laranja Mecânica-, no papel que dá nome ao filme.
Calígula é um épico tradicional, que ganhou notoriedade pelas doses cavalares de sacanagem, sadismo e violência.
Não tive a oportunidade ver essa jóia na TV , só o que me restou foi ouvir os relatos dos coleguinhas de sexta série que haviam assistido ao filme. E que relatos ! Cada vez que alguém começava a falar das cenas mais ultrajantes, rodinhas se formavam para interrogar o narrador, que muitas vezes só conseguia balbuciar umas duas palavras em meio às crises coletivas de gargalhadas que se instauravam entre ele e os ouvintes. Tinha putaria de tudo que é tipo: orgias , incesto ,
gang bang, homi cum homi , mulé cum mulé ... Além disso , eram muito populares as descrições de passagens marcantes como torturas - em uma, amarravam o pinto de um cara que, impedido de urinar, era obrigado a beber um barril de vinho - e a da nomeação de Incittatus , o cavalo do imperador, para um cargo no senado romano.
Após umas semanas desse burburinho e de muitas discussões sobre o filme na imprensa, a Rede OM resolveu reprisá-lo. A notícia foi recebida com fogos de artifício por toda a molecada que tinha perdido a primeira exibição. Semanas antes da data marcada, a OM ainda teve a cara de pau de passar um filme constrangedor sobre as aventuras eróticas de Robin Hood, que mais lembrava uma pornôchanchada. Seguimos na contagem regressiva para ver
Calígula, a obra-prima escrita pelo respeitado Gore Vidal. No entanto, a euforia logo deu lugar a decepção : por pressão de diversos grupos defensores dos bons costumes , a OM se viu obrigada a cancelar a exibição do filme.
Calígula nunca mais deu as caras na TV nacional.
O máximo que eu vi foi um
making-of do filme , produzido pela Penthouse , no canal Multishow da Net. Aprendi, por exemplo, que 12 mocinhas do
cast da Penthouse foram contratadas pelo diretor Tinto Brass para protagonizar as cenas mais picantes de
Calígula. E ficou por isso mesmo.
Links:-
Luis Carlos Alborguetti , o Mestre - Página que contém vários vídeos do
Cadeia Nacional.
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Informações sobre o filme "Calígula"Ps. Lembrei de
Calígula ao ler sobre o aniversário de Malcon McDowell no blog
Shmock.